Pular navegação

Arquivos Mensais:novembro 2009

- Já queria te dizer desde já que tudo o que você escreve, deixou de escrever ou pensar, seus amores, desamores, pesares, despesares, o caralho a quatro! Enfim, tudo pra mim é um puta lixo!
-Ahh, seu grosso! nem vem, viadinho! Você nem conseguiu me possuir direito!
- Ah é?! Quem regulava aqui era você, não era eu! Puta! Pensa que eu não vi você andando por aí, de conversa mais chegada como o Thiago???
- Quem é você? Eu dou pra quem quiser! E não é namorado quem vai me impedir!
-Você acha mesmo ainda que vai ficar com a geral e depois continuar namorando?
- Acho! E tenho dito! Veado corno! Você nem vai conseguir achar outra guria pra você, se é o que você quer saber!
- É, bem, nunca mais vou achar uma guria COMO VOCÊ!

_________
No outro lado da cidade…

- Oi amor, acho que não tá dando mais…
-Xii… Conheço este tipo de conversa… Mas por que não tá dando?
- É que você e eu somos muito diferentes: você tem essa mania de criticar tudo que vê, tudo que existe. De se entender a si mesmo. Filosofia…
- Ah… Mas… Eu parei, não critico mais tanto o céu ou o inferno. Enfim, eu apenas sou um cara toalmente estranho neste mundo e SEI disto, ao contrário de você, sua metida!
- Metida?! Tá, se você acha assim… Só acho que você devia se enxergar melhor no espelho. Seu nada, seu bosta, seu idiota! Você não entende?!
- Falou a puta, a senhora dos cabelos encaracolados. Independente: nem sabe quem é!
- É, talvez não saiba mesmo… Só quero atingir, só queria que você quisesse atingir à perfeição. É que eu te amo tanto… Você tem que ser O melhor!
- Mas eu não consigo! Não consigo ter estes teus modos de realeza. Eu sou um pobre mortal, um camponês, um campesino que tem pressa. Alguém que pensa mais no preço e no tempo que na forma!
- Viu, somos muito diferentes! Você ainda acha que pode dar certo?
- Creio sim! Aprenda com a natureza! Não percebe que os animais preferem os outros da mesma espécie o mais diferentes o possível de si próprios para aumentar a variabilidade genética?
- É, pode até ser, mas com humanos não é isto que é. Você anda com quem se sente bem.
- E isto te enfraquece! Não percebe que são nos diálogos que mais aprendemos?
- É, Mas debates são apenas bons entre amigos; não entre quem era suposto a te fazer feliz.
- Mas o que é felicidade? É simplesmente se manter na sua zona de conforto intelectual? É simplesmente ter alguém que corresponda às suas expectativas de bom, nobre, superior e que te faça feliz?
- É.
- Teu plano de vida é exatamente igual ao da mediocridade das pessoas…
- Mas eu quero ser normal! Eu quero passar desapercebida…
- Pois é. Você não pode. Você NÃO TEM COMO passar desapercebida, você é diferente. Necessariamente, as pessoas irão te notar.
- Mas eu não quero ser notada, se for, quero ser vista como alguém normal, entende?
- Entendo, mas isto é negar quem você é.
- Enfim… Mudando de assunto, queria tanto que você fosse alguém melhor… Que buscasse à perfeição…
- Mas isto não posso mesmo! Eu posso perseguir o equilíbrio. Me tornar alguém equilibrado, não perfeito. Não era você quem vivia falando de maturidade? Então, maturidade tem a ver mais com ponderamento e bom senso que com perfeição. Posso sim, buscar a melhoria contínua em prol do meu equilíbrio, mas nunca, em hipótese alguma, tenho o direito de buscar a perfeição!
- Ahhh, deixa quieto, acho que você não me entendeu… Eu sei que é impossível ser perfeito, mas tem que tentar…
- Não, nem tentar! E se você quer saber, eu te vi andando com o tal de Felipe estes tempos… Vocês andam muito achegados!
- É tudo o que ele me diz me deixa melhor… É tão bom!
- Pois é… Então… Vai, enfia este seu perfeccionismo no teu rabo!
E suma da minha vida duma vez por todas! Tome meu caderno de escritos que você me deu! Fique contigo, antes que lho queime!

________

Nos porões de algum lugar da zona leste…

- Ai…! Que dor! pare!
- Toma! Toma sua vagabunda! A sua mãe foi pro saco, agora você tá sofrendo. Quem mandou? Quem mandou você ir atrás doutros caras? Agora toma!
- Ai! Para de me estapear! Eu não mereço isto não!
- Toma mais uma e cala a boca, vadia! Lugar de mulher é calada em casa!
(entra a mãe)
- Pare já com isto, seu desgraçado! Assim você mata a menina!
- Cale a boca você também, sua coisa! Nunca foi mãe de verdade! Vivia na zona! Sua desgraçada! O pai vivia bebum por tua causa! Toma! Toma você também!
(retira um punhal da cintura)
- AAaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! (a mãe dele cai em choro, sangrando)
- Agora, vou vortá nonde eu tava!
- Não! Com a faca não! (E a lâmina rasgava cirurgicamente as carnes e as pelas da moça, aos poucos, um prazer sádico o invadia. Pobre moça!)AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
- Humpf, ela teve o que merecia!
_____________________
Não muito distante, na zona norte…

- O que você está fazendo? Pare! Pare! Já!
- Ahh, não minha tia, você sabe como eu sempre fui amarrado em ti; você sabe!
- mas isso não te dá o direito disso… Pare! ahnn! Pára… Ahnnn! Isso! Continua… Vai, já que você quer… Vai…. ahhnnnn… Toda tua!
(nove meses depois)
- Ueeeeeeeeeeeeeh! Ueeeeeeeeeeeeeeeeeeeh!
- Que fazemos com este criança…?
(Nunca mais a se viu)

______
Enquanto isto, um mendigo andava. Um pobre marginal pensava e olhava a Lua! Como é doce o ar desta cidade em setembro… Nada melhor que o céu, a rua, as estrelas!

Pérfido. Vil. Mesquinho. Insano. Era tudo aquilo! Como podia? Como podia? Via agora as mãos rubrescentes, o calor que sentia daquele líquido imanente escorrendo pelas suas mãos calejadas. Concorriam as dores fantasmagóricas ancestrais com as vias de gozo descomunal. Tentava desesperadamente limpara aquelas carnes: era o último recurso que poderia lhe livrar de seu mau agouro. Era livre. Libertara-se de tudo, contudo todo este livre-arbítrio havia lhe trazido morte, desgraça, destruição. Quem era? Isto já não lhe importava mais. Nem importa ao caro leitor. Aliás, suma! Este território não é para pessoas com mente frágil…

Corre o boato de que a morte lhe era única solução cabível. Tudo que fizera, aquela criatura doce e angelical não tinha perdão. Nem com mil céus, mil terras; demasiadamente superior, inconsubistancialmente poderosa. Incomensuravelmente ela… E tinha asas! Como… Era um bastardo, um animal qualquer, sem rédea, sem trégua, sem classe, sem saída, sem luz. Senhor, aquele sangue rubro escorrendo em suas mãos?!
Ele era aturdido pelo poder que aquilo representava: claro, de modo falso, sentia-se uma anomalia da natureza. Os ossos, tão frágeis, tão brancos, esfarelavam-se em suas mãos. Como? Que tipo de constrangimento aquele pobre ser teria lhe feito? Nada.

Estava subnutrido, só podia ser isto.

As questões de mar e vento, as cordas, os sofrimentos, as passagens, as paragens, os campos, as andanças, os quantos tempos, os inumeráveis fingimentos, os anos de cumplicidade, as grades, a amizade, as pessoas da vizinhança, os galpões de madeira podre, a imensidão do céu, o canto dos pássaros, os sorrisos das belas moças…TUDO, absolutamente, Inclusive o Tempo, parou naquele momento!

Era dolorido perceber, era complicado entender, era demasiado sôfrego, era por demais ébrio e cambaleante, era um enigma do ser – um engima do jamais ser; o canto que ouvia, jamais veria novamente.

Meu Deus, o sangue lhe escorria pelas mãos! E a sociedade burguesa nem percebeu: ela tinha produzido aquilo… Meu Deus, o mendigo matou um pombo e veja as pessoas horrorizadas! Que espetáculo fúnebre. Tinha fome, a consciência não lhe pesou como a de um falso ambientalista.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.