- Já queria te dizer desde já que tudo o que você escreve, deixou de escrever ou pensar, seus amores, desamores, pesares, despesares, o caralho a quatro! Enfim, tudo pra mim é um puta lixo!
-Ahh, seu grosso! nem vem, viadinho! Você nem conseguiu me possuir direito!
- Ah é?! Quem regulava aqui era você, não era eu! Puta! Pensa que eu não vi você andando por aí, de conversa mais chegada como o Thiago???
- Quem é você? Eu dou pra quem quiser! E não é namorado quem vai me impedir!
-Você acha mesmo ainda que vai ficar com a geral e depois continuar namorando?
- Acho! E tenho dito! Veado corno! Você nem vai conseguir achar outra guria pra você, se é o que você quer saber!
- É, bem, nunca mais vou achar uma guria COMO VOCÊ!
_________
No outro lado da cidade…
- Oi amor, acho que não tá dando mais…
-Xii… Conheço este tipo de conversa… Mas por que não tá dando?
- É que você e eu somos muito diferentes: você tem essa mania de criticar tudo que vê, tudo que existe. De se entender a si mesmo. Filosofia…
- Ah… Mas… Eu parei, não critico mais tanto o céu ou o inferno. Enfim, eu apenas sou um cara toalmente estranho neste mundo e SEI disto, ao contrário de você, sua metida!
- Metida?! Tá, se você acha assim… Só acho que você devia se enxergar melhor no espelho. Seu nada, seu bosta, seu idiota! Você não entende?!
- Falou a puta, a senhora dos cabelos encaracolados. Independente: nem sabe quem é!
- É, talvez não saiba mesmo… Só quero atingir, só queria que você quisesse atingir à perfeição. É que eu te amo tanto… Você tem que ser O melhor!
- Mas eu não consigo! Não consigo ter estes teus modos de realeza. Eu sou um pobre mortal, um camponês, um campesino que tem pressa. Alguém que pensa mais no preço e no tempo que na forma!
- Viu, somos muito diferentes! Você ainda acha que pode dar certo?
- Creio sim! Aprenda com a natureza! Não percebe que os animais preferem os outros da mesma espécie o mais diferentes o possível de si próprios para aumentar a variabilidade genética?
- É, pode até ser, mas com humanos não é isto que é. Você anda com quem se sente bem.
- E isto te enfraquece! Não percebe que são nos diálogos que mais aprendemos?
- É, Mas debates são apenas bons entre amigos; não entre quem era suposto a te fazer feliz.
- Mas o que é felicidade? É simplesmente se manter na sua zona de conforto intelectual? É simplesmente ter alguém que corresponda às suas expectativas de bom, nobre, superior e que te faça feliz?
- É.
- Teu plano de vida é exatamente igual ao da mediocridade das pessoas…
- Mas eu quero ser normal! Eu quero passar desapercebida…
- Pois é. Você não pode. Você NÃO TEM COMO passar desapercebida, você é diferente. Necessariamente, as pessoas irão te notar.
- Mas eu não quero ser notada, se for, quero ser vista como alguém normal, entende?
- Entendo, mas isto é negar quem você é.
- Enfim… Mudando de assunto, queria tanto que você fosse alguém melhor… Que buscasse à perfeição…
- Mas isto não posso mesmo! Eu posso perseguir o equilíbrio. Me tornar alguém equilibrado, não perfeito. Não era você quem vivia falando de maturidade? Então, maturidade tem a ver mais com ponderamento e bom senso que com perfeição. Posso sim, buscar a melhoria contínua em prol do meu equilíbrio, mas nunca, em hipótese alguma, tenho o direito de buscar a perfeição!
- Ahhh, deixa quieto, acho que você não me entendeu… Eu sei que é impossível ser perfeito, mas tem que tentar…
- Não, nem tentar! E se você quer saber, eu te vi andando com o tal de Felipe estes tempos… Vocês andam muito achegados!
- É tudo o que ele me diz me deixa melhor… É tão bom!
- Pois é… Então… Vai, enfia este seu perfeccionismo no teu rabo!
E suma da minha vida duma vez por todas! Tome meu caderno de escritos que você me deu! Fique contigo, antes que lho queime!
________
Nos porões de algum lugar da zona leste…
- Ai…! Que dor! pare!
- Toma! Toma sua vagabunda! A sua mãe foi pro saco, agora você tá sofrendo. Quem mandou? Quem mandou você ir atrás doutros caras? Agora toma!
- Ai! Para de me estapear! Eu não mereço isto não!
- Toma mais uma e cala a boca, vadia! Lugar de mulher é calada em casa!
(entra a mãe)
- Pare já com isto, seu desgraçado! Assim você mata a menina!
- Cale a boca você também, sua coisa! Nunca foi mãe de verdade! Vivia na zona! Sua desgraçada! O pai vivia bebum por tua causa! Toma! Toma você também!
(retira um punhal da cintura)
- AAaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! (a mãe dele cai em choro, sangrando)
- Agora, vou vortá nonde eu tava!
- Não! Com a faca não! (E a lâmina rasgava cirurgicamente as carnes e as pelas da moça, aos poucos, um prazer sádico o invadia. Pobre moça!)AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
- Humpf, ela teve o que merecia!
_____________________
Não muito distante, na zona norte…
- O que você está fazendo? Pare! Pare! Já!
- Ahh, não minha tia, você sabe como eu sempre fui amarrado em ti; você sabe!
- mas isso não te dá o direito disso… Pare! ahnn! Pára… Ahnnn! Isso! Continua… Vai, já que você quer… Vai…. ahhnnnn… Toda tua!
(nove meses depois)
- Ueeeeeeeeeeeeeh! Ueeeeeeeeeeeeeeeeeeeh!
- Que fazemos com este criança…?
(Nunca mais a se viu)
______
Enquanto isto, um mendigo andava. Um pobre marginal pensava e olhava a Lua! Como é doce o ar desta cidade em setembro… Nada melhor que o céu, a rua, as estrelas!