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Pérfido. Vil. Mesquinho. Insano. Era tudo aquilo! Como podia? Como podia? Via agora as mãos rubrescentes, o calor que sentia daquele líquido imanente escorrendo pelas suas mãos calejadas. Concorriam as dores fantasmagóricas ancestrais com as vias de gozo descomunal. Tentava desesperadamente limpara aquelas carnes: era o último recurso que poderia lhe livrar de seu mau agouro. Era livre. Libertara-se de tudo, contudo todo este livre-arbítrio havia lhe trazido morte, desgraça, destruição. Quem era? Isto já não lhe importava mais. Nem importa ao caro leitor. Aliás, suma! Este território não é para pessoas com mente frágil…

Corre o boato de que a morte lhe era única solução cabível. Tudo que fizera, aquela criatura doce e angelical não tinha perdão. Nem com mil céus, mil terras; demasiadamente superior, inconsubistancialmente poderosa. Incomensuravelmente ela… E tinha asas! Como… Era um bastardo, um animal qualquer, sem rédea, sem trégua, sem classe, sem saída, sem luz. Senhor, aquele sangue rubro escorrendo em suas mãos?!
Ele era aturdido pelo poder que aquilo representava: claro, de modo falso, sentia-se uma anomalia da natureza. Os ossos, tão frágeis, tão brancos, esfarelavam-se em suas mãos. Como? Que tipo de constrangimento aquele pobre ser teria lhe feito? Nada.

Estava subnutrido, só podia ser isto.

As questões de mar e vento, as cordas, os sofrimentos, as passagens, as paragens, os campos, as andanças, os quantos tempos, os inumeráveis fingimentos, os anos de cumplicidade, as grades, a amizade, as pessoas da vizinhança, os galpões de madeira podre, a imensidão do céu, o canto dos pássaros, os sorrisos das belas moças…TUDO, absolutamente, Inclusive o Tempo, parou naquele momento!

Era dolorido perceber, era complicado entender, era demasiado sôfrego, era por demais ébrio e cambaleante, era um enigma do ser – um engima do jamais ser; o canto que ouvia, jamais veria novamente.

Meu Deus, o sangue lhe escorria pelas mãos! E a sociedade burguesa nem percebeu: ela tinha produzido aquilo… Meu Deus, o mendigo matou um pombo e veja as pessoas horrorizadas! Que espetáculo fúnebre. Tinha fome, a consciência não lhe pesou como a de um falso ambientalista.

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